O deputado Zé Neto faz a interlocução entre a classe produtora e o governo
Um grande passo rumo à reestruturação da cadeia produtiva do leite na Bahia foi dado nesta quarta-feira (12/11), em Salvador, com a realização do encontro “Caminhos do Leite na Bahia: Desafios e Oportunidades”. O ponto alto do evento foi a entrega, ao Governador Jaques Wagner, de um diagnóstico das necessidades dos produtores baianos. O documento foi elaborado por técnicos de várias instituições e órgão públicos ligados ao setor produtivo. Todos os participantes destacaram o empenho do deputado Zé Neto não apenas na articulação do encontro, como também na interlocução junto ao Governo do Estado. Estiveram presentes, também, os secretários Ildes Ferreira de Ciência, Tecnologia e Inovação e Rafael Amoedo de Indústria, Comércio e Mineração, além da chefe da casa civil, Eva Maria Dal chiavon.
Na abertura do evento, o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), João Martins, destacou a grandeza do projeto de recuperação da pecuária de leite na Bahia e a participação do deputado Zé Neto, que, em sua avaliação, abriu os canais políticos para a discussão. “Temos plena convicção que a pecuária de leite vai gerar milhares de empregos diretos e indiretos e melhorar a vida do produtor”, acentua.
Paulo Manso Cabral, diretor técnico do Sebrae, afirmou que todas as entidades e órgãos envolvidos no projeto de recuperação da cadeia produtiva do leite na Bahia têm um compromisso único. “A reestruturação do negócio do leite é viável e importante para toda a Bahia. Essa discussão aqui realizada mostra um compromisso de produtores, empresários, políticos e do governo em torno da questão”, destaca.
O superintendente do Banco do Nordeste (BNB), Nilo Meira, disse que vê a iniciativa do projeto com otimismo. “Teremos recursos para disponibilizar aos setores produtivos do leite. Isso é um compromisso. Este evento é um marco histórico pela representatividade alcançada e é um momento ótimo pra criar um plano de ação para revigorar o setor produtivo”, observa.
O representante do Ministério da Agricultura, Paulo Roberto Lima e Silva, entende que o momento é favorável ao cooperativismo. “Na cadeia produtiva do leite o cooperativismo é fundamental e espero que deste encontro saiam propostas concretas para impulsionar a atividade na Bahia”, diz.
Paulo Cintra, presidente das indústrias de laticínios e derivados do leite, lembrou que as pequenas empresas têm enfrentado sérias dificuldades. “Precisamos de alternativas para comercializar nossos produtos no mercado. A Ebal seria uma excelente opção e a partir de agora fico mais otimista até por sentir a sensibilidade do governo do estado e do deputado Zé Neto com relação a esta questão”, afirma.
Reube Celestino, presidente da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), fez importantes esclarecimentos sobre a relação entre a empresa e o setor produtivo de leite na Bahia. “Quando assumimos a Ebal, falida, não encontramos respaldo para comprar leite no mercado. Tivemos que recorrer a outros mercados. Hoje, temos uma situação sólida na Ebal e nossas portas estão abertas à negociação, mas é necessário que o produto oferecido esteja dentro das nossas exigências, que é ter qualidade e preços acessível”, explica.
Com relação à qualidade do leite, o coordenador do setor de Produtos de Origem Pecuária da Adab, Paulo Emílio, reforçou a importância do acondicionamento correto do leite. “Fizemos um levantamento no estado e encontramos situações completamente absurdas. A recuperação da cadeia produtiva passa, necessariamente, pelo controle da qualidade do leite oferecido no mercado”.
Gustavo Valone, representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário, destacou que o encontro foi um grande passo para a recuperação da cadeia produtiva do leite no estado. Ele fez uma esclarecedora exposição de preços encontrados hoje no mercado e acenou positivamente para que o Ministério mantenha uma relação comercial mais próxima com a classe produtora na Bahia.
Ana Torquarto, representante da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, apresentou uma outra grande alternativa de comercialização aos produtores, que é o Programa Leite Fome Zero. Também esteve presente a representante da Conab, Rose Pondé.
DIAGNÓSTICO
Uma das palestras mais esperadas foi a de Rosemberg Valverde, um dos técnicos responsáveis pelo diagnóstico apresentado aos produtores e ao Governador Jaques Wagner. Falando em nome da equipe, Valverde apresentou os problemas detectados e também as soluções. “Encontramos baixa produtividade, falta de acompanhamento técnico, entre outros problemas. Em Aramari, na região de Alagoinhas, por exemplo, encontramos um excelente nível de desenvolvimento de produtividade e qualidade do rebanho. Entendemos que não existe uma política única para o leite na Bahia. É preciso avaliar a situação de acordo com a região”, destaca.
O diagnóstico sobre a cadeia produtiva do leite da Bahia foi elaborado a partir do trabalho de representantes de vários segmentos: Faeb, Senar, Sindileite, Ebda, Desenbahia, Banco do Nordeste (BNB), Sebrae, Abase, Ebal, Banco do Brasil (BB), Concrab, Conab, Adab, Econsult, Mandato do deputado Zé Neto e sete secretarias de estado, Sedes, Setre, Seplan, Sicm, Casa Civil, Secti e Seagri.
O deputado Zé Neto comparou a cadeia produtiva do leite na Bahia a uma orquestra. “Precisamos estar afinados em todos os segmentos. Temos o quarto rebanho do Brasil, mas estamos bem distantes de sermos destaque em produtividade de leite. Importamos cerca e 800 milhões de litros de leite para suprir o mercado. Uma situação lastimável. Não há tempo para procurar culpados, temos uma grande capacidade produtiva, mas que está adormecida. Temos condição, inclusive, de ter uma marca própria do governo, para regular preço e qualidade”, sugere.
Ainda segundo o deputado Zé Neto, na Bahia existem cerca de 60 mil produtores de leite. “No entanto, a Bahia produz oito vezes menos que o estado de Goiás, por exemplo. Recuperar este terreno perdido não é uma luta do Governo, é de todos”, enfatizou o parlamentar, que foi bastante aplaudido.
Ao encerramento do encontro, o governador Jaques Wagner recebeu a carta-diagnóstico sobre a cadeia produtiva do leite na Bahia. Wagner entende que neste momento é preciso organizar as demandas e selecionar as prioridades. “Vamos elaborar um cronograma para avançar. Evidente que a solução não virá da noite para o dia. Mas hoje todos nós demos um passo importante e decisivo. Gostaria que todos aqui saibam que o governador é parceiro da produção”, afirma o governador.