Desta vez, os cerca de 700 imóveis retomados pela CEF passarão por uma nova avaliação padrão e o parcelamento está sendo analisado
O Vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, esteve em Salvador na manhã de segunda-feira, 09 de junho, reunido com o deputado estadual Zé Neto, a advogada Manuela Falcão, o gerente de Desenvolvimento Urbano da CEF na Bahia, Mario Sérgio Oliveira, o Superintendente da CEF de Salvador, Aristóteles Menezes e três representantes de conjuntos habitacionais de Feira de Santana.
Nilson Campos, Azeni Maria Nogueira e Jailson Carvalho Almeida, representantes dos respectivos conjuntos habitacionais Feira IX, Terra do Bosque e Oyama Figueiredo foram participar da reunião que teve como objetivo encontrar uma solução para a quitação dos cerca de 700 imóveis retomados pela Caixa Econômica Federal.
O problema dos moradores dos conjuntos habitacionais representados na reunião é que o valor cobrado pela CEF para a quitação dos imóveis é bem maior do que o exigido pela Empresa Gestora de Ativos (Emgea), responsável por boa parte dos imóveis desses conjuntos. A proposta do deputado e dos moradores é que a Caixa estabeleça um valor próximo do estabelecido pela Emgea e parcele a dívida, para que todos os ocupantes das casas retomadas tenham condições de efetuar o pagamento.
Após uma longa exposição da situação dos ocupantes das casas retomadas e um panorama da situação desde o início das negociações, Jorge Hereda sinalizou para uma saída. Ele solicitou uma nova avaliação padrão das casas (no estado original), que ficará pronta dentro de 15 dias.
O vice-presidente da Caixa levará a situação proposta visando redução de valores e uma possível abertura de crédito para o financiamento dessas casas. “Preciso desse levantamento, depois conversarei com a presidente da CEF,Maria Fernanda Ramos e com o grupo responsável pelo setor, em Brasília, para trazer uma resposta. Queremos resolver este problema o quanto antes, mas enfrentaremos entraves legais que não podem ser desconsiderados”, explica.
VALORES MAIS JUSTOS
Alguns moradores reclamam que na avaliação realizada pela Caixa, para estabelecer o valor a ser pago, aconteceram erros. Um dos moradores do Conjunto Oyama Figueiredo, Jailson Carvalho Almeida, teve sua casa avaliada e o valor publicado no Edital de Concorrência Pública nº 006/2008 da Caixa Econômica Federal.
O que se observa é que o imóvel onde jailson mora foi avaliado em R$ 27 mil, enquanto o vizinho dele, que mora em uma casa com as mesmas dimensões, pagará cerca de R$ 6 mil. “Trata-se da mesma casa, pois tem idêntica estrutura e medida. Não consigo entender porque a minha casa ficou tão cara”, argumenta Jailson.
Quanto a estes problemas, Hereda acredita que deve ter havido algum engano e disse que vai verificar o que aconteceu para que os valores cobrados tivessem tamanha diferença.
SIVEP
Outro assunto tratado na reunião diz respeito aos valores pagos através do Sistema SIVEP, onde as pessoas fizeram depósitos em até 60 meses para, ao final, quitarem suas casas. Porém, apareceram casos onde o dinheiro foi levantado da conta e em outros casos, os moradores não puderam fazer o pagamento, não se sabe exatamente porque não se chegou a uma solução deste problema até agora.
Hereda sugeriu que sejam feitos formulários com o valor pago, número de prestações e de contrato anoexado às cópias de comprovante de depósito, para que a situação de cada depositante seja averiguada. Após o preenchimento desses formulários, eles serão enviados para Brasília, onde caso a caso se buscará uma saída justa.
Para o deputado Zé Neto, que há mais de 17 anos luta para regularizar a situação dos conjuntos e condomínios habitacionais de Feira de Santana, contratados pela CEF, esta é uma situação que em muito já foi amenizada. “Tínhamos mais de 15 mil unidades habitacionais em Feira com problemas, hoje restam em torno de 2.300 unidades. Contudo, é uma luta intensa para que essas famílias não sejam excluídas do sonho da casa própria e disso não abriremos mão. As negociações continuam e a luta também”, destaca.