A CPI que investiga irregularidades, no âmbito da gestão passada, na Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) ouviu na manhã desta quarta-feira, 29 de agosto, seis depoentes. Três deles, ocupavam o cargo de compradores e eram responsáveis pela negociação de preços das mercadorias para revenda nas lojas da Cesta do Povo, outros dois eram pesquisadores de preços dos produtos vendidos pelos concorrentes. A CPI ainda ouviu o auditor Icalmar Viana, responsável pela coordenação da auditoria do exercício do ano de 2006, da Auditoria Geral do Estado (AGE), .
A quebra de sigilo bancário, fiscal e de dados telefônicos de alguns envolvidos que servirá como prova legal para as investigações e que foi alvo de manobra da oposição na semana passada, foi aprovada pela CPI. O autor da quebra de sigilo é o relator da CPI, deputado José Neto, que a considera de fundamental importância para esclarecer as contradições nos depoimentos.
Segundo relatórios da AGE, a Ebal comprou frango e açúcar para revenda, por um preço mais alto do que o praticado no setor privado em 2003, gastando o valor de cerca de R$ 30,5 milhões, ocasionando para o Estado um prejuízo de cerca de R$ 4,6 milhões. Entretanto, nenhum dos três compradores que prestaram depoimento, assumiram a responsabilidade por essas compras, alegando que indicavam à Comissão de Compras os fornecedores que apresentavam o menor preço, e que cabia ao diretor de compras, Alexandre Sampaio, e ao presidente da Ebal, Omar Britto, avaliar e autorizar as compras.
O auditor ressaltou que dos R$ 17 mi repassados para a Comasa para a realização de obras nas lojas da Cesta do Povo, cerca de R$ 7,6 milhões não foram comprovadas (cerca de 50% das obras). Além disso, a construtora Comasa comprou, na empresa Nova Esperança, mais de 205 mil sacos de cimento, com notas sem o carimbo dos Postos Fiscais da Secretaria da Fazenda, o que impossibilita a confirmação do recebimento da mercadoria. O deputado relator, José Neto, requereu documentos da AGE que comprovam a não realização dessas obras.
Na próxima reunião, dia 5 de setembro, serão ouvidos os representantes da Casa das Lâmpadas, em Senhor do Bonfim; da Nova Esperança Transportes e Comércio, em Feira de Santana e da Cosme Bispo dos Santos, em Aiquara.