A CPI da Assembléia Legislativa que investiga as irregularidades cometidas pelo governo passado na gestão da Ebal começou a investigar as questões relativas à contratação de transporte para fretes na empresa. A reunião que aconteceu na manhã dessa quarta-feira (01/08) ouviu o ex-diretor de operações, José Mário Galvão, responsável por essas contratações.
Em um depoimento evasivo, José Mário, afirmou que cerca de 99% das contratações dos fretes da Ebal eram baseadas em processos informais, através de cadastros de motoristas autônomos, sem a realização de licitação. O ex-diretor responsabilizou o ex-presidente, Omar Britto, e o gerente de compras, Alexandre Sampaio, pela aquisição de produtos para revenda, bem como pelos valores fixados, se esquivando de responder objetivamente alguns questionamentos.
José Mário não explicou o fato da Ebal não ter solucionado diversas falhas apontadas pela AGE nos relatórios de 2001 a 2004. No entanto, afirmou que não havia intencionalidade nas falhas cometidas no setor de operações, mas pode ter havido imperfeições no sistema devido à quantidade de lojas, distância entre elas e falta de informatização.
Quando questionado pelo relator da CPI, deputado José Neto, sobre as notas fiscais que não continham a quilometragem percorrida e a assinatura de recebimento da mercadoria, bem como sobre a utilização de caminhões com grande capacidade para o transporte de pequenas cargas, o ex-diretor afirmou que por ser uma demanda muito grande de carga e descarga (em torno de 17 milhões de quilo/mês) não havia a possibilidade de ter controle total das notas fiscais referentes aos fretes.
O relator concluiu afirmando que mais uma vez “fica evidente a falta de controle nos processos e a situação de informalidade com a aplicação do dinheiro público”. Disse ainda que a vulnerabilidade dos recursos públicos está constatada desde os sucessivos relatórios do Tribunal de Contas do Estado, onde as irregularidades eram apontadas e não corrigidas. “O depoimento de hoje revela que o descontrole era deliberado e agora nos resta apontar os responsáveis e os beneficiados por essa situação”, salientou.